O que é uma célula de carga e como ela funciona
A célula de carga é um sensor que converte peso (força) em um sinal elétrico. A maioria das células comerciais usa extensômetros (strain gauges) montados em uma ponte de Wheatstone, com quatro terminais: E+ e E- (excitação, onde entra a tensão de alimentação) e S+ e S- (sinal, de onde sai a tensão proporcional ao peso aplicado).
Quando a célula sofre desgaste, umidade, sobrecarga ou dano físico, a ponte se desequilibra — e é isso que um teste elétrico consegue detectar antes de trocar a peça.
Ferramentas necessárias
- Multímetro com função de resistência (Ω) e tensão DC (mV), para o teste manual.
- Fonte de alimentação regulada, se for medir o sinal em mV sob carga.
- Testador dedicado (como o LC TESTE) — automatiza as cinco medições de resistência, a leitura em mV e ainda testa a comunicação serial do indicador, tudo em um equipamento só.
Passo 1: teste de resistência entre os terminais
Com a célula desconectada do indicador (sem alimentação), meça a resistência entre as cinco combinações de terminais:
A resistência de excitação (E+↔E-) e a de sinal (S+↔S-) variam por modelo e capacidade da célula — consulte o datasheet do fabricante. Células de strain gauge comuns costumam usar pontes de 350Ω ou próximo disso, mas isso não é universal: sempre confira a especificação do modelo específico antes de considerar um valor "fora do padrão".
As medições entre excitação e sinal (E+↔S+, E+↔S-, E-↔S+, E-↔S-) costumam ficar próximas entre si na mesma célula saudável. É a comparação entre essas quatro leituras — mais do que o valor absoluto — que ajuda a identificar desequilíbrio.
Interpretando os resultados
| Sinal observado | O que pode indicar |
|---|---|
| Resistência infinita (circuito aberto) | Rompimento no cabo ou na ponte interna |
| Resistência muito baixa ou curto | Curto-circuito, geralmente por umidade/infiltração |
| As 4 leituras E↔S bem diferentes entre si | Desequilíbrio da ponte — desgaste ou dano em um dos extensômetros |
| Valores próximos do esperado no datasheet | Ponte eletricamente saudável (não descarta problema mecânico) |
Passo 2: medição do sinal em mV (sob carga)
Além da resistência, é a resposta em milivolts (mV) que mostra se a célula está entregando o sinal correto quando recebe peso. A sensibilidade da célula é especificada em mV/V (ex.: 2 mV/V, 3 mV/V) — ou seja, quantos milivolts de saída ela entrega por volt de excitação, na capacidade máxima.
Fórmula de referência:
Saída esperada (mV) ≈ Sensibilidade (mV/V) × Tensão de excitação (V) × (carga aplicada ÷ capacidade nominal)
Exemplo: uma célula de 2 mV/V, excitada com 10V e com metade da capacidade nominal aplicada, deve entregar aproximadamente 2 × 10 × 0,5 = 10 mV. Esse é um exemplo ilustrativo — sempre use a sensibilidade real informada no datasheet da sua célula.
Problemas comuns e o que eles indicam
- Sinal invertido (negativo quando deveria ser positivo): geralmente é fiação trocada entre S+ e S-.
- Leitura instável ou "pulando": mau contato no conector, cabo danificado ou umidade na célula.
- Zero não estabiliza: problema na ponte, aterramento incorreto ou interferência elétrica próxima.
- Peso exibido divergente do peso real: pode ser calibração desatualizada, mas também célula com desgaste — vale testar a célula antes de recalibrar.
Quando vale usar um testador dedicado
O teste manual com multímetro funciona, mas exige desconectar a célula, fazer as cinco medições uma a uma e ainda calcular a mV esperada manualmente. Um testador dedicado como o LC TESTE automatiza essas medições, testa a comunicação serial do indicador (RS-232, RS-485, TTL e Bluetooth) e salva o histórico de cada teste no cartão SD — reduzindo um diagnóstico de vários minutos para segundos.
Depois de confirmar que a célula está saudável, o próximo passo costuma ser calibrar a balança — veja o guia de como calibrar uma balança — e, se sua operação precisa de certificado, o CalibraPro organiza esse processo do início ao fim.